Bem no meio de dez anos.

[Achei esse texto perdido, enquanto limpava os rascunhos do blog, escrevi em outubro de 2012 e acabei publicando só agora. Foi legal encontrá-lo hoje, ler, refletir… Tomara que seja bom pra mais alguém :)]

(Oi! Só uma explicação bem rápida, sobre a categoria “Meu Balão”: são as viagens da minha cabeça, em prosa ou verso, que antes moravam na gaveta e ninguém lia. Se alguém vai ler eu já não sei, só que agora essas viagens estão na internet… Hm)

Eu vejo muita gente bem, gente que já passou por coisas terríveis, e que agora são simplesmente grandes pessoas, grandes exemplos. Eu me pergunto se um dia eu vou superar certas coisas, e tento imaginar como deve se sentir uma grande pessoa que superou tudo. Mas eu acho que ninguém nunca superou tudo, que todo dia temos tudo a superar, e que vai ser sempre assim, mesmo para as maiores pessoas do mundo.

Às vezes eu me pego sendo quase cruel com alguém. Nunca é porque eu quero, não estou tentando ser injusta. Acho que espero que os outros aprendam com seus erros, mas me pergunto: o que eles aprenderiam, afinal? Que a vida não é justa. Ou que eu, por algum motivo, não quero ficar por perto o tempo inteiro. Ou que algumas pessoas são assim. É confuso demais, a situação é a mesma, e no primeiro momento você está cheia de razão, só que em meia hora, começa a achar seus argumentos tão estúpidos… Posso voltar atrás e dizer que você tinha um pouco de razão?

Eu tenho vinte anos, já errei muito, acertei muito, já vi vários erros me levarem a acertos. Sei que é possível, que não é nada de outro mundo, mas ainda me impressiono. Olhar em volta e olhar pra trás, ver o fim justificando os meios… É uma sensação meio doida, né? Em um momento da sua vida, você acha que nada mais tem jeito, olha desacreditada pros próprios sonhos; e no outro, está se perguntando como conseguiu passar tanto tempo sem enxergar saídas tão óbvias, e o mais importante: descobre seus verdadeiros sonhos, os que você realmente quer dar o sangue pra realizar, e descobre que cada um deles é perfeitamente possível.

Nada, nada vem ou vai à toa. Tudo traz ou leva o que é preciso. Tem fim que é começo, meio que parece fim, e ainda há os começos escondidos, que só dali a muitos meses você será capaz de entender a linda surpresa que estava sendo desencadeada. O tempo é cura pra muita coisa, é um presente poder ver a mesma coisa depois de certo tempo, com um novo olhar. E quando eu digo que o tempo te ajuda quando passa, eu não estou falando só de meses e anos, mas de vinte minutos, que seja. E mesmo que tenha passado o tempo que for, não tem tanta coisa assim te impedindo de voltar ao ponto de partida. Se foi há uma hora que você disse uma besteira, ainda dá pra voltar e se consertar, se explicar; Se cinco anos atrás você teve medo, quem sabe agora, cinco anos mais sábio, você não tenha coragem?

Pense em cinco anos atrás. Os seus sonhos continuam os mesmos? Você realizou algum? Quais eram as suas músicas favoritas? Elas ainda estão aí? Você mudou muito? Pra melhor ou pior? Tem certeza? Pense em cinco anos a frente. O seus sonhos serão os mesmos? Você vai realizar algum? Quais serão as suas músicas favoritas? Elas já estão aí? Você vai mudar muito? Pra melhor ou pior? Bem, certeza você não tem… Mas eu desejo muita inspiração.

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And long, long live that look on your face.

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Eu tive uma semana tão agitada e ando um pouco nervosa com alguns trabalhos, prazos e tudo. Nesse semestre eu montei minha grade da faculdade com algumas matérias de períodos mais adiantados que o meu, e claro, acabei me atolando um pouco. Alguns trabalhos estão me empolgando bastante e espero poder, mais pra frente, falar deles aqui! Já outros…

De qualquer forma, eu tive, sim, alguns momentos bem happy-free-confused-and-lonely-in-the-best-way nesses últimos dias. Esses momentos mais relaxantes aconteceram, claro, quando eu resolvi escutar música bem alta e/ou fazer um karaokê sozinha no quarto. Ou pela casa, como fiz hoje, já que estou em casa hoje!

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Uma das músicas que mais me emociona, arrepia e me deixa maluca é ‘Long Live’, da Taylor Swift e não tem como explicar… Se você ouve essa música e não sente o quanto a magia dela (da música, da Taylor…) pode ser imensurável, então você talvez nunca vá entender, porque não dá nem pra desenhar. Não foi uma das músicas que me relaxou durante a semana, mas tem muito a ver com uns vídeos que parei pra assistir hoje à noite, porque tiveram mais ou menos o mesmo efeito da canção em mim: me deixaram toda boba com essa grandeza, o poder e essa atmosfera da Tay e de suas turnês. Tanto, que eu precisei dividir com alguém, mas ao invés de mandar mensagem pra alguma amiga, pensei: por que não o blog? E aqui estou.

O primeiro, é uma compilação chamada ‘Taylor Swift (ft The Fans)’, que são imagens das três últimas turnês (Fearless, Speak Now e Red) de momentos superespeciais: os fãs cantando junto com ela (ou sozinhos, e são muitos <3). A gente sabe (e se você não sabia, ela conta no vídeo) que esse era/é o maior sonho, a maior emoção, o som favorito dela! É tão lindo, a emoção transcende o virtual e não tem como não achar fascinante.

O segundo, é um pouco dos bastidores da semana mais legal da Red Tour! Claaaro, Los Angeles! A escolha de convidadas e de músicas pros shows no Staples Center não poderia ter sido mais bacana, nem sei dizer de qual gostei mais. Há tanto tempo eu não ouvia Jennifer Lopez! Ainda mais ‘Jenny from the Block’, foi uma surpresa tão boa! Eu nunca tinha parado pra ouvir Tegan and Sara e nossa, me sinto nos anos 80 ouvindo ‘Close’ e é tão irado! A Ellie Goulding linda, estava tão feliz, não dava pra prar de olhar pra ela. No dia que a Sara Bareilles foi cantar Brave, eu quase não acreditei, saí de casa atrasada pra aula de tanto rever o vídeo, porque gente, é Sara, é Taylor, é Brave!!! E uma das coisas mais divertidas pra fazer quando você está sozinha é cantar ‘Want U Back’, não consigo ficar parada, então também amei ver a Cher na Red Tour.

Enfim, a Taylor me anima, emociona e relaxa. E tenho certeza de que muito mais gente se sente assim, tanto com ela quanto com tantos outros músicos que fazem tudo isso, uma hora acabam com a gente, em outras horas são a justificativa de ainda estarmos bem. Ahhh. E você, quais são as músicas e bandas que encontram um espaço na correria e te puxam pra dançar? 😉

P.S. No ‘Taylor Swift (ft The Fans)’, na parte em que ela fala sobre ‘Our Song’ na entrevista, ela está tão parecida, com todo o jeitinho da Amy Adams ❤

Contagem Regressiva no Vale do Paraíso.

Bom, pra quem vai ver o John Mayer esse ano no Rock in Rio, a contagem regressiva de um mês já começou! 🙂 🙂 🙂 Além disso, podemos contar de trás pra frente enquanto ouvimos ‘Paradise Valley’ (sem precisar do stream!), o mais recente album do John, lançado oficialmente… Hoje! 🙂 🙂 🙂 E quando menos esperarmos vai chegar o grande dia! :))))))))) :)))))) :)))))) Sim eu estou muito ansiosa, foram uns bons anos de espera, além do medinho de não vê-lo ao vivo quando houve a história do granuloma, mas agora ele já voltou com tudo, já está em turnê há um tempo (e que turnê mais linda), já lançou album novo, já voltou com a Katy, já botou Katy pra cantar no cd novo… E em pouco mais de quatro semanas, ele vem pro Rio e vamos vê-lo junto com o Bruce ❤ e Phillip Phillips e curtir tanto, que toda essa espera terá valido a pena.

Eu estou bem curiosa pra saber, afinal, como será o show. Acompanhando a Born and Raised Tour, dá pra ver que as músicas mais recentes estão reinando a setlist, porém – especialmente nos últimos shows – John tem nos agraciado com suas canções mais antigas, algumas previsíveis, outras bem improváveis. No começo da turnê, eu estava um pouco aflita, porque é a primeira vez do John em terras brasileiras e a minha vontade era de que ele fizesse uma coletânea das boas, quase a discografia toda, sabe? Quando cada música tem um significado relevante na sua vida, você simplesmente quer ouvir tudo ao vivo, mesmo estando bem ciente de que isso nunca vai acontecer (but it’s my dreeeeam!!!). Por outro lado, eu tenho me acostumado  e me apaixonado tanto tanto tanto pela ideia de um show só com faixas dos dois últimos álbum, que se ele ficar em uma ou duas antigas, não vou reclamar nem em pensamento.

Como já mencionei, há muito tempo eu venho querendo ver o John Mayer ao vivo, e quando pude fazer meu intercâmbio, em 2011, achei que finalmente aconteceria… Mas ele estava no “break” por conta do granuloma. Pelo menos eu pude ver a Katy Perry, que oh, quem diria, se tornaria um dia o rostinho que o John chama de lar. (Um parêntese porque eles são uns amores, e são muitas as coincidências: além de ver os dois – em anos diferentes – no RIR,  no post de Coisas que se casam, eu havia comentado sobre ter sido adotada pelas músicas deles, haha! E fui mesmo… Vou lembrar pra sempre). Voltando… E por conta desse tempo e de toda a dificuldade de shows por aqui, eu acabei achando bem natural ficar com Room For Squares, Continuum, Battle Studies etc apenas no iPod #Paciência.

Seria irado ouvir os albuns mais antigos ao vivo, mas no caso de não rolar, eu tenho onde ouvir ❤ Já com Born and Raised, alguns meses depois do album ser lançado, ficamos sabendo que o John viria pro Rio! E apesar de ligar essa notícia diretamente às músicas antigas (e isso ter sido responsável pela minha tremedeira vendo Jornal Nacional…), eu acabei passando os últimos meses ouvindo mais Born and Raised do que qualquer outro cd dele, e já com o pensamento no show. E com Paradise Valley, lançado a poucas semanas do show então… Sem contar que acompanhar essa turnê é incrível, está tudo tão lindo, tão western e verão e country e roadtrip e essa nova fase do John é de tanta maturidade e tranquilidade consigo e com o mundo que deve ser impossível não se contagiar (eu me contagiei, e você?)… Eu imagino um show tão gostosinho quanto ouvir ‘Wildfire’, e sei que se eu conseguir ficar na grade, como quero, não será exatamente gostosinho assim, mas TUDO BEM. Tudo bem porque eu vou estar vendo e ouvindo de perto, ao vivo, um dos maiores guitarristas de sua geração, e isso é o tipo de coisa macro-legal. Numa perspectiva micro, eu estarei apreciando ao vivo músicas que eu canto com o meu irmão sempre, músicas que mudaram a minha vida de verdade, que me ajudaram a entender sentimentos que pareciam inexplicáveis, que me fizeram dançar, me ensinaram lições que nunca vou esquecer. Ou pelo menos estarei bem perto do cara fantástico que brilhantemente escreveu, canta e toca todas elas. Eu mal posso acreditar. Vai ser um dos dias mais incríveis da minha vida inteira, que eu não duvido, vou ficar lembrando pra sempre, todos os dias. Ah. VEM LOGO, 21 DE SETEMBRO!

O Clube do Filme.

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[Minha experiência, impressões e alguns spoilers do livro ‘O Clube do Filme’, de David Gilmour – Ed. Intrínseca]

Uma vez eu ouvi falar sobre o livro ‘O Clube do Filme’ de David Gilmour, e achei o título interessante (opa, filmes <3) e fui ver mais sobre o que era. A sinopse explicava que um pai deixou seu filho sair da escola – algo que o filho detestava – com a condição de que os dois vissem juntos pelo menos três filmes por semana. E a partir disso, cada filme trazia novas pautas para eles discutirem, e assim o pai educava o filho para a vida.

Achei uma ideia bem legal, fiquei curiosa (será que deu certo?), e como eu gosto muito de buscar em vídeos, livros, filmes etc um legado, ou algum ensinamento (daí que eu comecei o TQEPSEAC aqui no blog, mas logo aposentei), achei que o livro seria sobre os filmes que pai e filho assistiram e sobre as lições tiradas de cada um, o que, na verdade, poderia ter deixado o livro meio chato, repetitivo e com ar de escola (coisa da qual Jesse, o filho, já havia se livrado uma vez!).

Coloquei na minha booklist (que esse ano está mesclada com a do Charlie), mas não como prioridade. Só que em uma das minhas idas à Cultura, meus olhinhos e o livro se encontraram, e eu não consigo pensar em um só livro que não suba para o topo de prioridades literárias ao ser encontrado na sua livraria favorita, bem no dia do seu aniversário (hm, vou me dar de presente!) e pelo preço simpatissíssimo de R$12,45. Comprei, é claro. E comecei a ler naquela noite mesmo, dentro do metrô.

De cara o livro traz um ponto de vista muito interessante: a visão de David, o pai, e todas as suas vontades e preocupações em relação ao filho. Dos outros livros que eu já li, nenhum vinha com esse ponto de vista, então foi uma novidade bem legal pra mim. O que acontece durante a viagem a Cuba, por exemplo, e o que David sente – orgulho por ter protegido Jesse – me fez sorrir e refletir sobre algumas coisas. Por exemplo, no papel das pessoas na vida de cada um, na sociedade e no quanto esse papel influencia na vida delas mesmas. Em ‘Never Grow Up’, música do cd ‘Speak Now’ da Taylor Swift, ela pede que a filha não se esqueça de que enquanto cresce, a mãe também está ficando mais velha, ou seja, ela não é só a sua mãe, ela também é uma pessoa, uma mulher, está enfrentando coisas, passando por novidades, tem medos e receios… Já essa história de Cuba nos faz repensar, por exemplo, nas coisas que pais (talvez assim como avós, tios, irmãos, amigos) gostariam de fazer por nós, mas “não podem” porque já estamos grandes ou por qualquer outro motivo. Essa mistura de papéis, funções e conciência individual é uma coisa enorme.

O livro conta mesmo a história daquele período da vida dos dois, todo o contexto, como a busca de David por um emprego e as namoradas de Jesse. Mas fala um pouco sobre os filmes também, como histórias curiosas de bastidores, comentários relevantes (David é um cinéfilo que sabe assistir a filmes e apreciar os detalhes que poderiam passar despercebidos para algumas pessoas), e por isso pode ser usado como uma espécie de guia para assistir os filmes que você ainda não viu sabendo um pouquinho mais sobre eles, ou rever aqueles que já viu, só que dessa vez prestando mais atenção em tal cena, depois de aprender sobre ela no livro.

Curiosidades sobre a vida de alguns diretores, roteiristas e atores também estão presentes e são contadas da forma mais natural possível (de pai pra filho, mesmo). Mas os filmes estão sempre em segundo plano na história, ‘O Clube do Filme’ não é um livro sobre Cinema. É muito mais sobre como criar/educar, sobre ser pai de um adolescente com todos os altos e baixos e a coragem e sensibilidade necessárias. SPOILER ALERT: Durante a leitura, em vários momentos fiquei curiosa para saber como o Jesse está hoje, onde ele chegou sem um diploma de Ensino Médio, e acabei me surpreendendo no final porque a) o livro não conta especificamente que carreira ele seguiu, apesar da monografia sobre Cinema… Quer dizer, ele não queria ser crítico, ele queria ser rapper… E b) um dos principais motivos para eu ter começado essa leitura, afinal, foi a curiosidade sobre a resolução da história, eu achava que Jesse teria conseguido uma carreira de sucesso sem diploma, mas no final ele voltou ao Ensino Médio, foi à faculdade etc. Enquanto eu lia algumas partes, cheguei a acreditar que pudesse haver a possibilidade de entrar em uma faculdade sem terminar o Ensino Médio, mas não, né? 😛

Quando eu já estava familiarizada com os personagens e curtindo bastante a história, pegando o metrô no sentido contrário só para ir até a última estação e voltar, lendo, eu senti aquela pena do livro estar acabando. “Droga, em dois dias no máximo eu já vou ter terminado de ler tudo…”. Mas entre Tesouros Enterrados e Grandes Roteiros, nos dois últimos capítulos, eu já estava querendo que acabasse, eu precisava terminar o livro imediatamente. Não porque estava ruim, na verdade o livro não ficou ruim ou cansativo em nenhum momento, mas estava uma areia movediça e eu precisava sair antes de me afundar mais com aquela história. Esquisito, mas eu simplesmente amo como livros são capazes de despertar as mais variadas sensações, superficial ou intensamente e, no fim das contas, ler ‘O Clube do Filme’ foi uma experiência literária de verdade, maior do que eu imaginei que seria quando me dei de presente.

Shewantedtobemyloverbutmyheartwaswithanotherand

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Em 2008, quando eu a descobri, rapidinho fiquei viciada na Kate Nash. Cantava ‘Birds’ o tempo inteiro (sem pular partes porque era tudo lindo), ouvia ‘Nicest Thing’, o hino das paixões platônicos, quase todos os dias, arrumava o quarto com ‘Pumpkin Soup’, achava que ‘We Get On’ era a minha vida e que “Dancing at discos, eating cheese on toast, yeah you make me merry make me very very happy, but you obviously, you didn’t want to stick around… So I learnt from you” era um dos trechos mais legais sobre términos de todos os tempos (ainda acho, pelo menos, meio genial).

Fiquei com esse album por um tempão, e mesmo quando a Kate lançou, em 2010, um novo trabalho “My Best Friend Is You” eu curti um pouco, mas não cheguei a ouvir todas as músicas e nem a dar tanta atenção. Tanto, que só fiquei sabendo que ela viria ao Rio fazer show, depois que ela havia ido embora… ): Marquei muita bobeira aí! Por conta desse mole, me animei há algumas semanas, quando soube que ela viria ao Brasil para o Cultura Inglesa Festival, que é de graça (!), mas em São Paulo (oh, shit). E assim, por não poder ir para SP, perdi outro show da Kate. Maaaas eu nem havia ouvido seus últimos álbuns… Então, mesmo perdendo a chance do show, resolvi que já estava mais do que na hora de ouví-los.

Comecei por ‘Sister’, do terceiro cd, ‘Girl Talk’. O comecinho do refrão (usado como título desse post) não sai da minha cabeça, desde então. Como a voz da Kate, que já era linda, está lindamente diferente, quase que “de qualquer jeito”, bem solta. Ouvindo você vai entender. Como fui logo, sem nem conhecer direito o segundo cd (‘My Best Friend is You’, que deve ter músicas que sinalizam o novo estilo e caminho que ela tomaria), a diferença entre ‘Made of Briks’ (o primeiro trabalho dela, lançado em 2007) e o último é gritante. Com muitos gritinhos.  E mesmo com a mudança radical, o disco lançado em março desse ano não ficou menos viciante. Só que agora, ao invés de surpresinhas em cada música, o cd inteiro é uma grande surpresa; e no lugar de letras lindinhas e engraçadas, que davam vontade de sentar na cama com o violão e cantar bonitinho, a vontade agora é de dançar, gritar e mandar ver numa guitarra bem louca.

Aqui um vídeo da Kate cantando ‘Sister’ ao vivo =)

Resolvi escrever esse post antes de escutar todo o segundo cd, pois senti que tinha bastante para falar sobre o terceiro. O album é superfeminista, com letras criticando o sexismo (e quem fala que isso não existe), uma música chamada ‘Free My Pussy’; e aquele toque de humor (menor do que eu imaginei) em ‘I’m a Faminist, You’re Still a Whore’ (he he he). Aliás, o começo desta me lembra muito Little Red. Little red, little red, little red. Mas ‘Masion Song’ já dava espaço para o feminismo em ‘MBFIY’.

Estou gostando bastante de todas, mas acho que ‘Sister’ continua sendo a minha favorita! Kate Nash punk de garagem é irresistível. Voltei da aula e a primeira coisa que fiz foi ouví-la. Acho que gosto tanto porque me dá a sensação de pertencer a uma época do século passado, da qual eu não pertenci. Acho que é alguma coisa como ser adolescente nos anos 80/90. Por mais que eu ame rock dessas décadas, sempre ouço com a conciência de que são de outros tempos. Já o ‘Girl Talk’ soa parecido, mas é desse ano, da minha época, do meu tempo, e fala das mesmas coisas com as quais me identifico. #MeRepresenta

Cinema Nacional

No sábado de estreia de ‘Somos Tão Jovens’, eu fui ao cinema com meu irmão e minha madrinha pra ver o filme, e depois da sessão eu me dei conta de que as últimas vezes que eu havia ido ao cinema foram todas para assistir a filmes nacionais. Como eu enrolei um pouquinho pra escrever sobre isso aqui, já voltei ao cinema para ver filmes lá de fora, mas ainda estou com o assunto na cabeça.

Todo mundo consegue perceber que o nível do cinema nacional tem subido bastante nesses últimos anos… Eu, particularmente, gosto muito das produções brasileiras, e não costumo me decepcionar quando paro pra assistir. Claro, tem sempre uns que não agradam, mas no geral me divertem bastante, eu aprendo muito, além de rolar com esses filmes um nível de identificação que nenhum filme estrangeiro traz. A impressão que eu tenho é que com filmes de Hollywood, por exemplo, nós nos enxergamos nos personagens em um nível mais universal, mesmo quando temos bastante intimidade com a história. Com os filmes daqui, é como se a gente se sentisse mais em casa, mais familiarizado com todo mundo ali, com a situação, os personagens, os lugares, as gírias… Sinceramente, eu acho que faz bem assistir a filmes nacionais.  Eu quero fazer um top 10, mas vai demorar muito então vou postando de 3 em 3 em 4 ou algo assim. Aí embaixo, alguns dos que eu lembro de ter gostado mais:

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1) Somos Tão Jovens (de Antonio Carlos da Fontoura, 2013)
Se você quer saber mesmo a história da Legião Urbana, o filme pode complementar. Mas não vá achando que a história tá toda ali. Tanto falta coisas que aconteceram, quanto uma das protagonistas (a Aninha, melhor amiga do Renato) nunca existiu! ): Sim, fiquei triste quando soube… Mas como meu objetivo com o filme não era um conhecimento aprofundado na história da banda e do Renato Russo, fiquei bem satisfeita com o que vi! O filme é bem bonito, emociona, dá pra ver que foi feito com capricho. E tem história né? E uma trilha sonora que todo mundo sabe de cabeça, porque marcou momentos e gerações. Meu favorito. Gostaria de chamar atenção para dois detalhes: o jeito como contam as histórias das músicas ficou bem encaixadinho e bonito; a semelhança dos atores com os ‘personagens reais’: a cena em que o Renato consola Petrus foi a que a semelhança entre Thiago Mendonça e Renato ficou mais clara pra mim, além de o Ibsen Perucci ser a cara do Dinho, e o Edu Moraes então… O que foi aquele Herbert Vianna? Hahaha demais! Dei muita risada com ele.

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2) Última Parada 174 (de Bruno Barreto, 2008)
É um filme muito forte, sobre a tragédia do ônibus 174, que aconteceu em 2000, na Rua Jardim Botânico, aqui no Rio. Mas o foco do filme não é a tragédia, e sim toda uma história da vida de Sandro, o sequestrador do ônibus. Com vários detalhes realistas, eu não sei exatamente até onde o filme é verdade, afinal, não é o documentário (mas existe um documentário sobre o caso chamado ‘Ônibus 174’, feito em 2002, dirigido por José Padilha e Felipe Lacerda, estou pra assistir e comparar). Mas é um dos filmes que mais recomendo, pois consegue aproximar muito o telespectador da complexidade da vida de crianças que crescem e tem sua formação na favela, nas ruas e em prisões para menores. Eu, graças a Deus, cresci e vivo em ambientes que não são violentos, e no máximo conheço a violência urbana (que é uma consequência). Ver o filme me fez entender bastante coisa, só que esgotou minha esperança de ver um dia igualdade social, paz no Rio…. Pelo menos por uns dias.

paraísos
3) Paraísos Artificiais (de Marcos Prado, 2012)
Vi no cinema, e achei um filme bem bonito, lembro que gostei da fotografia, da história também, que foi diferente de qualquer uma que eu já tenha visto. Eu gosto da Nathalia Dill, e os outros protagonistas, Luca Bianchi e Lívia de Bueno (que aliás formaram um casal nos bastidores do filme) também foram ótimos. Um dos pontos mais fortes foram as locações, a maior parte do filme foi gravada em Recife e as cenas ficaram lindas. O filme conta a história de duas amigas, a DJ Érika e Lara, que vão para um festival de música eletrônica no Nordeste, onde Érika vai tocar. Lá elas conhecem Nando, e as vidas deles se cruzam de um jeito bem inesperado, e tudo muda para sempre. Eu, que não sou fã de música eletrônica, mas sou fã de festivais, me identifiquei com a atmosfera e as sensações desses eventos, que foram bem retratadas no filme.

Em breve, mais pra essa lista ❤

CINEMA MULTINACIONAL

P.S. Outro dia fui ao cinema e antes do filme, passaram três trailers, cada um num idioma, nenhum dublado e nenhum em Inglês: um em Português, outro em Espanhol e o último em Francês. Achei isso interessante. Os filmes, respectivamente, foram: ‘Eu Odeio Dia dos Namorados’ (Brasil, 2013) que estreia no dia 7 de junho, ‘2 Mais 2’ (Argentina, 2012) que estreiou por aqui na última semana e ‘A Datilógrafa’ (França, 2012) que chega ao Brasil no dia 24 de maio (próxima sexta). Estou ansiosa pra ver os três, especialmente ‘A Datilógrafa’, que pelo trailer eu já achei muito, muito lindinho em vários sentidos e aposto que vou amar.

I mean look at her.

I mean look at her.

Not something thumping from the City.

Não fui criada em uma fazenda, com cavalos em volta… O mais perto que cheguei desse universo bucólico foi uma ferradura pendurada na árvore do meu quintal e alguns comerciais do Greatest Hits da Shania Twain que passavam o tempo inteiro no SBT em 2004 e faziam meu irmão e eu cantar ‘Still The One’ aos berros pela casa. Mas mesmo assim, o Country é muito importante e mora no meu coração.

Eu não gosto apenas de Country, quem me conhece sabe que eu não gosto apenas de nada, que eu aprecio vários estilos bem diferentes de música, literatura, filmes, lugares… E que pra mim tudo é a melhor coisa que existe naquele momento. E a melhor coisa do mundo, de todos os tempos, que apresento agora é: Música Country.

De tudo, a característica que eu mais gost do cenário Country é a sensação de estar tudo em família. Claro que não é exatamente assim,  e por trás de toda essa coisa de “viemos do campo, temos a mesmas raízes, nos amamos” há algumas intrigas, como em toda indústria musical. Basta ver as tramas de ‘Country Strong’ ou do seriado ‘Nashville’; o que é mostrado na série são coisas que a criadora, Callie Khouri, viu de perto quando morou na cidade de mesmo nome.

Mas, tirando o inevitável, é uma delícia assistir aos festivais, às premiações como o ACM Awards e o CMA Awards. As apresentações, as parcerias que dão aquele toque especial, os discursos, as piadas… Na minha opinião, são melhores do que qualquer outro prêmio de música, sempre vale assistir, me sinto “em casa” mesmo vendo pelo youtube, haha. Olhar pra uma foto assim, ver que está faltando gente aí, mas dos que estão, você sabe quem é quem e adora… Isso é coisa de família, não é?

Só nunca entenderei a Miranda Cosgrove aí…

Um dos momentos mais inesquecíveis pra mim, foi quando Kix Brooks e Ronnie Dunn – que formavam uma dupla há 20 anos – anunciaram a separação, em agosto de 2009. No ano seguinte, eles apresentaram o ‘The Last Rodeo – Final Show’ (foto acima), um show de despedida que foi a coisa mais linda, e estava todo mundo lá! Foi demais! Na época eu assisti todos os fragmentos do show disponíveis na internet, mas hoje descobri que tem na íntegra no youtube.


Não resisti, assisti de novo…

Brooks and Dunn era uma das poucas duplas da música Country, diferente de como é aqui no Brasil (um monte de duplas sertanejas), lá há mais cantores solo, trios e bandas. Mas assim como aqui existe o sertanejo universitário, nos Estados Unidos o Country anda sendo reinventado, com muita gente incrível nessa nova geração. O que eu enxergo, na verdade, são até segmentos um pouco variados dentro da mesma geração, mas ficaria difícil explicar, porque as linhas divisórias são meio embaçadas. Fica mais claro quando você ouve as músicas e percebe as diferentes atmosferas entre cada época (de Hillbilly até hoje) e de artista para artista. Todos fazem parte da mesma coisa, é fácil relacionar, mas cada um faz de um jeito único… Mesmo com os elementos repetitivos (seja o formato de contar histórias inteiras, os instrumentos como banjo ou bandolim ou mesmo a menção do cotidiano no campo como pick-up trucks, campo aberto, chapéus de cowboy…), dessa fonte sai uma variedade imensa de música boa, e com muita qualidade.

A Taylor Swift, por exemplo, recebe indicações, prêmios (menos do que antes) e tudo como artista country, apesar de muita, muuuita gente questionar isso. Na minha opinião, não há razão para excluir a Taylor, ainda que as músicas dela saiam até bastante do que é o Country. É que sempre há elementos do estilo espalhados, pelo menos por algumas canções, de seus discos. E também (especialmente pelas duas próximas razões) porque ela começou lá, tenho certeza de que mesmo ela ainda se sentindo como se ninguém estivesse a convidado para as festas, ela se sente mais à vontade nesse ambiente; e não podemos esquecer, de tudo que ela fez pela música Country.Pessoas de países da Europa e até daqui do Brasil, que não eram familiarizados com o Country, começaram ouvindo Taylor, e agora compram cds e vão a shows de muitos outros artistas do gênero.

A importância do estilo para os americanos também está refletida em sua forte presença nos reality shows musicais. A primeira vencedora do American Idol, Kelly Clarkson <3, na época cantava mais pop, mas ela está bem inserida no meio Country também. Carrie Underwood venceu a quarta temporada programa, que aliás, tem agora o Keith Urban como um dos jurados. No ano passado, Tate Stevens foi o vencedor da segunda temporada do X Factor. E claro, O Blake Shelton ❤ é (o melhor) jurado do The Voice.

É raro, mas às vezes ouço as rádios brasileiras tocarem Country. Lady Antebellum, Taylor Swift, além dos clássicos como Faith Hill (Juuuust breathe… alto no carro, quem nunca?), Shania Twain (‘From This Moment’ toca em todo casamento, gente!). Mas acho que o que todo mundo conhece e ama mesmo é o reireirei Johnny Cash. You make me happy when skies are grey. ❤ Não tem ninguém que não adore ‘Folsom Prison Blues’, ‘Walk the Line’, os duetos com o Bob Dylan ou com a June.


Oh, gente…

Outro momento memorável na história da Música Country foi o CMA Awards 2012. Três palavras: Miranda e Blake. Miranda Lambert e Blake Shelton, que são um casal tão lindo quanto Faith Hill e Tim McGraw (ou, como um comentário dizia, são Beyoncé e Jay-Z do Country), foram os donos da noite de premiação, que aconteceu em novembro passado. Ela ganhou Female Vocalist of the Year, ele ganhou Entertainer of the Year e os dois juntinhos ganharam Song of the Year – para  ‘Over You’, canção escrita pelos dois, para o irmão dele, falecido há alguns anos. Então, se você ousar apertar play nos três vídeos abaixo, te garanto 10 minutos e 36 segundos de pura lindeza.


Se ‘Best Couple of All Time‘ fosse uma categoria…


We are a team! O discurso lindo, humilde, com esse sotaque ❤


Mais do que merecido, porque se o Blake fez uma coisa em 2012 foi entreter a gente!

O motivo de eu ter começado a falar de Country aqui, foi porque finalmente tive tempo para ouvir o ‘Pioneer’ todo, que é o segundo album da The Band Perry. O cd foi lançado no mês passado, e a banda, que é uma das minhas favoritas (mas muito favoritas mesmo!), caprichou tanto! Os clipes estão incríveis, e as músicas nem se fala… A voz da Kimberly está incrível especialmente na faixa ‘Gonna Be Okay’, mas uma do trio de irmãos que explora a temática de morte. As composições continuam trazendo os rituais de uma garota que sabe como colocar um ponto final num relacionamento que acabou. Afinal, é na música Country que estão as melhores crazy ex-girlfriends!

A coisa que mais me frustra o estilo nçao ser popular no Brasil… Ninguém nunca vem fazer show aqui! Acho que nem mesmo em Barretos… O que é uma pena, mas ainda irei sim. O mais perto que eu já cheguei de alguns artistas country foi as estrelinhas de Tim McGraw, Dolly Parton e Alan Jackson, além de bater um papo com a Carrie de cera.

walkofcountry

São muitos ídolos (deixei muitos sem mencionar), são muitas as canções marcantes, e escrever sobre isso me fez não querer parar mais… Então, para esse post não ficar ainda maior, vou deixar para um próximo, e fazer um top 10 de duetos, ou canções… Alguma coisa assim. Vou finalizar com o clipe de ‘Better Dig Two’, da The Band Perry, que aaaaah, está entre as minhas favoritas do album (Chainsaw, Mother Like Mine, I’m a Keeper… Tá tudo bom demais). Curtam aí:


Até que a morte – e só a morte – nos separe.

O Livro e o Filme: ‘O Menino do Pijama Listrado’.

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[O post contém: spoilers, minhas impressões; Imagens: reprodução]

Essa semana eu terminei de ler ‘O Menino do Pijama Listrado’, uma leitura que foi adiada por um tempão. Pra compensar, resolvi não esperar tanto mais pra ver o filme.

Acho que todo mundo já conhece a história, inclusive o final, mas aqui vai um resumo rapidinho: “Bruno tem nove anos e não faz idéia de que seu país está em guerra com boa parte da Europa, e muito menos de que sua família está envolvida no conflito. Na verdade, Bruno sabe apenas que foi obrigado a abandonar a espaçosa casa em que vivia em Berlim e mudar-se para uma região desolada, onde ele não tem ninguém para brincar nem nada para fazer. Em uma de suas andanças Bruno conhece Shmuel, um garoto do outro lado da cerca que curiosamente nasceu no mesmo dia que ele. Conforme a amizade dos dois se intensifica, Bruno vai aos poucos tentando elucidar o mistério que ronda as atividades de seu pai.” (Adaptado da sinopse oficial do livro).

Apesar do pano de fundo ser dos mais tristes, John Boyne conta toda a história de uma maneira simples e bonita, que foi o que me conquistou, afinal. O livro foi tão bem escrito que você não consegue – e nem quer – fugir de sentir um carinho imenso por Bruno, e mais tarde por Shmuel e pela amizade que eles constróem. É a coisa mais linda ver uma amizade nascer assim, livre de intolerâncias e preconceitos, passando por cima de muitas diferenças; simplesmente mostrando o valor do ser humano e de amigos verdadeiros.

Algumas coisas me remeteram ao livro ‘A Menina que Roubava Livros’ e ao filme ‘A Vida é Bela’, por de falar da Segunda Guerra, do nazismo e das crianças que viveram isso, mesmo sendo histórias diferentes.

Reparei que foi um dos livros mais fáceis de visualizar a história e todas as ações que eu já li. Quando Shmuel dava um sorriso ou não respondia a uma pergunta de Bruno, quando Bruno tinha coragem de ser um pouco sarcástico com o tenente Kotler, e mesmo quando Gretel chorou sentindo falta do irmão – exatamente quando eu comecei a chorar também -, tudo isso estava bastante claro na minha cabeça, com detalhes precisos, o que nem sempre acontece enquanto leio. No final das contas, ‘O Menino do Pijama Listrado’ entrou pro tima dos Livros Que Mal Posso Esperar Pra Ler de Novo.

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A primeira vez que eles se tocam (achei no h-esitate.tumblr.com)

Ao ver um filme depois de ler o livro, há sempre um pequeno choque e aquela comparação entre o que você imaginou e o que você está assistindo. Eu pelo menos fico listando mentalmente as semelhanças, as coisas das quais sinto falta… E em ‘O Menino do Pijama Listrado’ eu senti falta de muitas coisas.

Não achei o filme ruim, mas não me aproximou tanto da história quanto o livro fez. A versão cinematográfica não deixa tão clara a importância da avó para Bruno e, entre outros detalhes, senti falta da coisa do piolho, de precisar raspar a cabeça; mesmo que isso não tenha sido necessário para o desenvolvimento dessa trama. Aliás, eu vi o filme todo e só quando li os créditos no fim, que reconheci o nome do Asa Butterfield – de ‘Hugo’.

A Gretel me pareceu tão neutra e sem graça na maior parte do tempo. No livro ela tem a personalidade melhor definida e fica mais fácil amá-la ou odiá-la; é um ótimo retrato de uma menina que está entrando na adolescência e se acha muito esperta por isso; em compensação, no filme ela aparece como uma jovem patriota, com orgulho do pai e das coisas que ele faz, completamente influenciada pelas aulas e pelas ideias do próprio pai e do tenente Kotler. No fim das contas, três pontos positivos do filme chamaram a minha atenção em relação ao livro:

1) A parte em que o tenente Kotler diz à Mãe que “os judeus cheiram ainda pior depois de queimados”. Essa e outras partes do filme mostraram bem o quanto a Mãe não podia aguentar aquela situação. Eu posso não ter percebido tão bem isso enquanto lia, mas primeiro eu achei que a mãe queria voltar para a casa simplesmente por sentir falta de Berlim, por achar Haja-Vista, além de tudo, um tédio, enquanto na verdade – apesar de não ser desleal ao partido, como a Avó – ela achava insuportável conviver com tudo aquilo tão de perto.

2) O caminho da nova casa até a parte do campo onde Shmuel fica. Eu gostei bastante de ter uma espécie de bosque ali, das cenas do Bruno brincando por lá e encontrando o menino do pijama listrado pela primeira vez.

3) Quando Bruno pergunta ao Liszt se existem judeus bons, e o professor responde algo como “Bem, Bruno, se você conseguir encontrar um judeu que seja bom, você será o melhor explorador do mundo inteiro”. Apesar de não concordar com o Herr Liszt, eu gostei dessa parte, porque depois de ler o livro, acho que isso (somado ao fato de ter conhecido o Shmuel) é algo que Bruno adoraria ouvir, que o faria sentir felicidade e orgulho de suas explorações.

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Não morri de amores pelo filme, talvez por ter morrido de amores pelo livro e ter ficado com muitas expectativas. ‘O Menino do Pijama Listrado’ é, sem dúvida, uma história que merece ser lida, pois foi bem construída em seus detalhes e é levada pela sensibilidade, o elemento mais importante na minha opinião – pelo menos, quando o livro tem essa delicadeza eu me sinto mais conectada aos acontecimentos, e isso, para mim, é decisivo na hora do livro se tornar, ou não, um favorito. E essa amizade entre um menino judeu e um menino filho de um soldado nazista, em plena Segunda Guerra, é uma das minhas histórias favoritas.

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A cena das palmeiras e do por do sol, das estradas da Califórnia, de estar indo pra casa depois de um dia inesquecível com pessoas que me faziam rir e me faziam bem e olhar pela janela do carro e ver esse mar, enquanto músicas que eu não ouvia antes tocavam no rádio. Essa cena é uma das quais eu mais sinto falta. Entre todas as coisas que aconteceram naquele verão que eu passei na Califórnia, alguns momentos foram sagrados, e não importa o que houve depois deles, se eu nunca mais troquei duas palavra com quem estava comigo ou se eu visitei o lugar 500 outras vezes depois disso, eu vou para sempre me lembrar desses momentos com o maior carinho, o maior amor e com uma falha da respiração. Uma saudade imensa. De todos, o que volta à minha cabeça com mais frequência é de estar no carro voltando de LA pra Santa Barbara e não ter nenhum pensamento ou sentimento em mim que não fosse perfeitamente bom de ter. Uma paz dessas que a gente não sente quase nunca. Lembro bastante também do Paradise Pier, que virou meu lugar favorito, especialmente pela California Screamin’ e pela sensação mais maravilhosa que eu já tive na vida toda. Talvez a viagem toda tenha sido meio que o ápice da minha adolescência, um período curto onde eu vivi coisas que nem podia imaginar. Minhas referências são cheias de luzes e de fins de tarde, do céu rosinha, das luzes dos prédios de São Francisco, de estar caminhando e dando risada alta ao mesmo tempo, de olhar em volta e ver que o lugar é lindo e, é claro, de muita, muita gente que tive a felicidade de conhecer. Gente que, por termos nos encontrado em uma circunstância tão peculiar quanto um intercâmbio é, corro o risco de jamais encontrar novamente, mas que eu guardo bem o nome, o rosto, o sotaque e o que eu senti quando os tinha por perto. É muita gente, muita rua, muito calor, muito frio. Quando eu paro assim, que nem agora, pra lembrar, não paro mais de lembrar disso e daquilo e dá saudade de cada coincidência, de cada ônibus, de cada festa e ida à praia. Até do caminho de volta pra casa, depois da aula de dança (onde eu passava a maior vergonha sendo a pior da turma, e a única com mais de 12 anos) eu sinto falta. Foi uma época sem muitas preocupações, quando eu usava a maioria das tardes para exercitar minha vontade de explorar lugares desconhecidos e de dançar pelas ruas já que não havia pedestres por perto e se eu não vejo quem está no carro, há chances deles não me repararem também – e se repararem, serei só mais uma das pessoas com parafusos a menos que habitam a Califórnia.

Eu estava pelo tumblr, e vi uma foto do sol se pondo atrás das palmeiras e comecei a escrever. Só parei alguns minutos depois.